Neste domingo, as leituras apresentam algumas personagens que foram chamadas a desempenhar a missão de anunciadores da palavra de Deus. Todos têm a mesma reacção: sentem-se indignados, incapazes, inadequados.
Isaías declara ser um homem de lábios impuros. Pedro pede a Jesus que se afaste dele porque sabe que é um homem pecador. Paulo afirma que o Ressuscitado se manifestou também a ele, mas «como a um aborto», isto é, como a um ser imperfeito, alguém que nasceu de modo anormal.
A lista de declarações de indignidade poderia continuar com as objecções de Jeremias: « Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou jovem!», e de Moisés: «Mas senhor, eu não sou um homem dotado para falar; tenho a boca e a língua pesadas».
Vocações ao anúncio da Palavra de Deus, hoje, são as do padre, do diácono, do catequista, do animador…
Há também – é ver – quem, ignorando os próprios limites, se sente demasiado seguro de si. Mas a maior parte, consciente das próprias misérias, defende-se, diz não estar preparado à falta de preparação não é um bom motivo para desistir. Pode-se ultrapassar com o estudo, a participação sistemática em cursos bíblicos e pastorais, a organização de uma pequena biblioteca teológica.
Pelo contrário. A percepção da própria incapacidade espiritual deve ser superada tendo em conta a obra de Deus: Ele purifica os seus profetas e os seus apóstolos e habilita-os a anunciar a sua mensagem.
Como o Senhor, o cristão é «amante da vida», deseja a vida, empenha-se pela vida. « Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» - diz Jesus referindo-se à missão entre os homens. Como realiza nos dias de hoje esta missão?
Os cristãos como «filhos da luz», são chamados a ser, no meio dos homens, «luz do mundo» e «sal da terra». Inseridos, pelo seu Baptismo, no Corpo Místico de Cristo, ficam, com efeito a participar da Sua mesma missão. |