Quarta, 8 de Setembro de 2010
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[05 Feb 10] :: LECTIO DIVINA - Domingo 7 de Fevereiro de 2010- 5º Domingo Comum Ano C
TEXTO BÍBLICO: Lucas 5,1-11
Naquele tempo,
estava a multidão aglomerada em volta de Jesus,
para ouvir a palavra de Deus.
Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré
e viu dois barcos estacionados no lago.
Os pescadores tinham deixado os barcos
e estavam a lavar as redes.
Jesus subiu para um barco, que era de Simão,
e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra.
Depois sentou-Se
e do barco pôs-Se a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo
e lançai as redes para a pesca».
Respondeu-Lhe Simão:
«Mestre, andámos na faina toda a noite
e não apanhámos nada.
Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
Eles assim fizeram
e apanharam tão grande quantidade de peixes
que as redes começavam a romper-se.
Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco
para os virem ajudar;
eles vieram e encheram ambos os barcos
de tal modo que quase se afundavam.
Ao ver o sucedido,
Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:
«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu,
que eram companheiros de Simão.
Jesus disse a Simão:
«Não temas.
Daqui em diante serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra,
eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

LEITURA
O que diz o texto?
Indicações para a leitura
Queridos irmãos:
Depois do início solene de seu ministério e de algumas curas em vários lugares, no
início do capítulo 5, Jesus realiza uma pesca milagrosa, quando chama ao seguimento os seus quatro primeiros discípulos.
A vida da zona oriental da Galileia girava em torno do lago que leva o mesmo nome
(chamado também de Tiberíades ou de Genesaré). Ali, Jesus ensina à multidão. Devido à grande quantidade de pessoas, o Senhor decide usar uma das barcas que estavam na margem do lago. Sentou-se na mesma e de lá, ensinava sua proclamação do Reino. Uma vez acabado o ensinamento, Jesus diz a Pedro, dono da barca, que avance mar adentro para pescar (literalmente: navegar nas águas mais profundas e lançar as redes). Pedro um pouco surpreso comenta com o Senhor que estiveram toda a noite tentando pescar mas não tiveram bons resultados. Ora, se durante à noite não pescaram nada imagine durante de manhã e ao meio-dia.
Entretanto, Pedro lhe diz que vai lançar as redes... Literalmente lhe diz: “em atenção à tua Palavra, vou lançar as redes”. O obedecer a Palavra de Jesus traz resultados inacreditáveis. Eram tantos os peixes que as redes estavam a ponto de se romper. E não só isso, encheram duas barcas que parecia que iam afundar pela grande quantidade de peixes. Pedro fica comovido e espantado pela superabundância da pesca que Jesus realizou. Atira-se aos pés do Senhor e confessa publicamente seu próprio pecado. O assombro não é de Pedro, mas também de Tiago e João (e talvez de André que, embora não seja citado, pelos plurais que se utilizam, podemos supor que estava na barca).
Diante desta situação, o Senhor dirá a Pedro que não tenha medo porque ele o converterá em “pescador de homens” (expressão literal). Os trabalhadores levaram as
barcas para a margem e deixando, seguiram a Jesus. Saiba que: nos textos evangélicos são relatadas duas “pescas milagrosas”. A que aqui comentamos e outra em João 21,1-6. Ambos os relatos são muito parecidos. Os estudiosos discutem se se trata de dois episódios diferentes ou se derivaram de um mesmo episódio duas tradições que os situam em momentos diferentes da vida do Senhor. Mais além de toda discussão técnica, vale a pena ler os dois relatos para deixar que a Palavra nos fale em sua multiplicidade em nosso coração. Outros textos bíblicos para confrontar: Mateus 4,18-22; Marcos 1,16-20; João 21,1-6. Para continuar o aprofundamento destes temas pode olhar no Mapa, o Lago da Galileia na zona norte do território.

Perguntas para a leitura
Onde se encontra Jesus no começo do relato?
O que faz o povo?
O que o Senhor vê? O que faz então?
De onde começa a ensinar o povo agora?
O que diz o Mestre a Pedro uma vez que terminou seu ensinamento?
O que lhe responde Pedro?
O que acontece quando obedecem à Palavra do Senhor?
O que fazem os pescadores quando percebem que vão romper as redes?
O que acontecia com as barcas de peixes?
Perante essa quantidade enorme de peixes: o que faz Pedro? qual é sua reação?
O que acontece com os outros pescadores?
O que diz o Senhor a Pedro?
O que fazem no final do relato os pecadores?

MEDITAÇÃO
O que me diz o texto?
Perguntas para a meditação
Sou capaz de “amontoar-me” com o povo para escutar a Palavra de Jesus?
Deixo que Jesus me ensine os mistérios do Reino?
Escuto-o com paciência e serenidade?
O que implica para mim hoje a frase: “avançar para as águas mais profundas e lançar
as redes”?
O que há hoje no mar de minha vida?
Até que profundidade devo navegar?
Em que aspecto de minha vida devo “lançar as redes”, isto é, ganhar audácia,
compromisso, risco para o bem e a verdade…?
Sou capaz de cumprir a Palavra de Jesus ainda que o “cálculo humano” me diga que
não vale a pena?
Sou perseverante e tento sempre crescer na vivência do Evangelho ainda que já não
tenha feito muitas vezes e não possa conseguir?
Deixo-me surpreender por Jesus?
Onde vejo hoje refletida em minha vida e na vida do mundo a superabundância da
pesca milagrosa?
Olho para a realidade desde esta perspectiva ou me deixo aturdir só pelo negativo?
Busco ajuda para levar adiante as propostas do Senhor para minha vida? Ou cedo à
tentação de fazê-lo tudo eu sozinho?
Tenho a humildade de Pedro de ajoelhar-me perante Jesus e confessar-me um
pecador?
Me assombra o poder do Senhor?
O que me evoca hoje a frase: “Não tenhas medo”?
Como posso assumir o compromisso de ser “pescador de homens”?
Me animo a deixar e seguir a Jesus?
ORAÇÃO
O que digo a Deus?
Para a oração lhes propomos um texto de João Paulo II:

NOVO MILLENNIO INEUNTE 6 de Janeiro de 2001
1. No início do novo milénio quando se encerra o Grande Jubileu, em que
celebrámos os dois mil anos do nascimento de Jesus, e um novo percurso de estrada
se abre para a Igreja, ressoam no nosso coração as palavras com que um dia Jesus, depois de ter falado às multidões a partir da barca de Simão, convidou o Apóstolo a « fazer-se ao largo » para a pesca: « Duc in altum » (Lc5,4). Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e lançaram as redes. « Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe » (Lc 5,6). Duc in altum! Estas palavras ressoam hoje aos nossos ouvidos, convidando- nos a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente, abrir-se com confiança ao futuro: « Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre » (Heb13, 8). Este é o começo da Carta Apostólica que o Papa entrega à Igreja ao começar o Terceiro Milênio. É sumamente sugerido que se utilize a frase do texto que hoje oramos. A frase duc in altum está em latim.

CONTEMPLAÇÃO
Como interiorizo a mensagem?
Para a contemplação utilizaremos a frase de navegar (ou remar) mar adentro. Iremos
repetindo-a como convite do Senhor para a nossa vida.
Senhor Jesus, convida-me a navegar nas águas mais profundas do belo
de minha vida…
Senhor Jesus, convida-me a navegar nas águas mais profundas em meio
as cruzes que hoje tenho que carregar…
Senhor Jesus, convida-me a navegar nas águas mais profundas
acompanhado a meus seres queridos, familiares e amigos…
Senhor Jesus, convida-me a navegar nas águas mais profundas nas
escuridões que, às vezes, experimento em meu próprio coração...
Senhor Jesus, convida-me a navegar nas águas mais profundas...
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